segunda-feira, 30 de setembro de 2013

PARABÉNS ÀS SECRETÁRIAS!


ORAÇÃO DA SECRETÁRIA


Senhor,

Ajudai-me a ter uma memória de elefante para alcançar, pelo menos até três anos atrás.

Através de algum milagre, seja eu capaz de fazer todas as coisas de uma só vez, atender a quatro telefonemas, transmitir recados e escrever a carta que deverá ficar pronta nesta mesma tarde, embora só venha a ser assinada amanhã.

Fazei com que eu não perca a paciência se tiver de passar horas procurando no arquivo um documento que, finalmente, esteja na gaveta ou no bolso do meu chefe.

Ajudai-me a compreender e cumprir todas as ordens, mesmo quando não derem nenhuma explicação.

Fazei-me saber, sem que ninguém me diga, onde está meu chefe, o que está fazendo e a que horas voltará.

No fim do ano, dê-me a visão necessária para não destruir, quando o meu chefe mandar, os arquivos que ele me pedirá poucos dias depois.

Fazei-me parecer atraente àqueles que meu chefe deseja impressionar, um monstro para os visitantes inoportunos e uma eficiente secretária aos olhos de sua esposa.

Amém.

Hoje é o Dia da Secretária.
Parabenize a sua secretária. Ela merece todos os parabéns e elogios.


domingo, 22 de setembro de 2013

PRESENTE DE DOMINGO...

ÁRVORES DO ALENTEJO

Florbela Espanca

Horas mortas? Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido? e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro e giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
pedindo a Deus a minha gota de água.

sábado, 21 de setembro de 2013

PORQUE HOJE É SÁBADO...

A ÁRVORE - UMA CRÔNICA SOBRE A REALIDADE

Cleo Lima

Uma árvore talvez fosse pouco pra ele. Dependurar-se, pular de galho em galho, colher suas frutas e saboreá-las no ato, sem cerimônia nenhuma. E a mãe que, medrosa, gritava de longe: Desce, menino!

Adolescente, recostava-se na sombra para uma soneca, para sonhar. Sonhar com a linda jovem por quem se apaixonara… Com ela, rabiscou corações flechados e iniciais que ficariam quase eternizados ali.

“Adultesceu” a olhar para o verde manso das folhas defronte sua casa. Enxergava poesia no movimento dos galhos, abria o peito, sentia o vento. Era uma sensação inigualável, inexplicável. Por vezes, chamava a linda não-mais-tão-jovem e ficavam os dois praticando o exercício da contemplação. Os sorrisos eram parte integrante do cenário, que, de tão perfeito, parecia onírico.

As crianças vieram. Logo que ensaiaram os primeiros passos, a primeira providência foi amarrar um balanço num dos galhos. E logo os pequenos já subiam, desciam, caíam e comiam os frutos. Era joelho ralado, braço roxo, picada de abelha. Viviam gargalhando lá por cima.

Os cabelos já eram poucos, totalmente brancos, quando aconteceu. Anunciou-se a construção de uma estrada. Concreto. Asfalto. Preto.

Vieram os engenheiros, vieram os políticos sorrindo sempre, vieram as máquinas. Quando foi dado o sinal positivo, não houve tempo nem para as despedidas. Os netos pequenos choraram muito. Os filhos tentaram disfarçar a lágrima que se formava no canto do olho. Em vão. Ele e a linda senhora se abraçaram, tentando consolar um ao outro, mas não era nada simples, a tarefa.

Os dois se foram no mesmo dia, parece até que tinham combinado. Após terem sido cremados, as cinzas foram guardadas na mesma urna. O filho mais velho, chorando muito, esperou as primeiras horas do dia seguinte. Caminhou sobre o asfalto implacável, urna em mãos, e sentou-se onde outrora estivera a amada árvore. Abriu a última morada dos pais. O vento, poesia pura, carregou devagarinho as cinzas pela imensidão preta da estrada. E o dia nasceu.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O QUE É TÃO DIFÍCIL DE ENTENDER?

O QUE É TÃO DIFÍCIL DE ENTENDER?

Eu tenho visto nesses dias que antecederam o final da votação dos Embargos Infringentes, as pessoas se posicionarem contra a possibilidade de que os réus da AP470 tivessem direito a um novo julgamento que, no caso deles, não vai inocentá-los, pois já foram condenados. O que os advogados propõem é a revisão das penas.

E o que é tão difícil de entender nessa situação, se não a garantia dos direitos que TODO réu tem de recorrer da sua sentença? Para mim é claro como a água.

Vemos todos os dias pessoas condenadas, pelos mais diversos tipos de crime, os mais bárbaros e repulsivos, recorrerem das suas sentenças e até proporem a anulação do julgamento, dizendo-se injustiçadas. E por que fazem isso? Porque assim é feita a Justiça. Porque, se não fosse assim, pessoas inocentes seriam penalizadas e não poderiam recorrer, não poderiam provar a sua inocência, se forem inocentes. Porque, se não fosse assim, TODOS NÓS, CIDADÃOS BRASILEIROS, estaríamos correndo o risco de, por algum problema que pudéssemos ter com a Justiça (ninguém sabe o dia de amanhã), não ter os nossos direitos respeitados. E aí, quem hoje não quer dar o direito aos réus em questão, se tivesse algum problema a resolver na Justiça, com certeza iria se revoltar por não poder recorrer. A gente só sabe o tamanho do problema quando passa por ele.

Esses pedidos de revisão podem chegar até o Supremo Tribunal Federal, instância máxima da Justiça. E por que, quem tem o tal “foro privilegiado” (alguns dos réus da AP470 não tinham, mesmo assim foram julgados logo pelo STF), não pode pedir revisão, não pode recorrer a esse mesmo tribunal que o condenou? Aceitar que essas pessoas tenham o mesmo direito dos que são julgados por instâncias menores, é o mínimo que se pode esperar da instituição JUSTIÇA.

E muita gente ficou pedindo que o STF ouvisse a voz da multidão e não desse direito aos réus. Mas ouvir essa voz é sinônimo de Justiça? Claro que não! Particularmente gostaria que pedófilos, traficantes e estupradores, depois de comprovada a sua culpa, fossem executados sumariamente, sem nem direito de irem a júri, tamanha é a repulsa que esses crimes me causam. E eu sou contra a pena de morte. E ainda bem que a Justiça não funciona assim.

Respeito a opinião de cada um, mas seria bom que, sem o calor da emoção, as pessoas repensassem direitinho sobre o que estavam querendo e a distância que há entre o que se quer e o que é de Direito.

Fátima Vieira




domingo, 15 de setembro de 2013

PRESENTE DE DOMINGO...

TIRE O PÓ, SE PRECISAR

Autor desconhecido

Tire o pó, se precisar,
mas não seria melhor
pintar um quadro ou escrever uma carta,
fazer um bolo ou plantar uma semente,
distinguir entre o querer e o precisar?

Tire o pó, se precisar,
mas não há muito tempo,
com os rios a nadar e as montanhas a subir,
música para ouvir e livros para ler,
amigos para cultivar e a vida para viver.

Tire o pó, se precisar,
mas o mundo está lá fora,
com o sol nos seus olhos e o vento no cabelo,
flocos de neve caindo, ou pingos de chuva,
este dia não vai voltar.

Tire o pó, se precisar,
mas lembre-se,
a velhice vai chegar e pode não ser gentil,
e quando você se for, e você vai,
Você se tornará em mais pó.


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Texto original

DUST IF YOU MUST

Author Unknown

Dust if you must, but wouldn't it be better,
To paint a picture or write a letter,
Bake a cake or plant a seed,
Ponder the difference between want and need?

Dust if you must, but there's not much time,
With rivers to swim and mountains to climb,
Music to hear and books to read,
Friends to cherish and life to lead.

Dust if you must, but the world's out there
With the sun in your eyes, the wind in your hair,
A flutter of snow, a shower of rain.
This day will not come 'round again.

Dust if you must, but bear in mind,
Old age will come and it's not always kind.
And when you go and go you must,
You, yourself, will make more dust.

Imagem Google


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

CAFÉ DO BREJO, POUSADA E RESTAURANTE


A pousada

Vai curtir um friozinho em Triunfo ou só passar por lá? Visite ou hospede-se no Café do Brejo, Pousada e Restaurante, em Triunfo-PE

Cidade de Triunfo, a 1km da pousada


"Tudo é arretado por lá: a cidade, que fica a mais de 1.000 metros de altitude, o clima ameno, que no inverno faz um frio de rachar, o relevo montanhoso do Planalto da Borborema que tem como ponto culminante o Pico do Papagaio. com 1.260 m de altitude, o museu do cangaço, o teleférico..., ahahah, verdade, e, o melhor de tudo, a Pousada e Restaurante Café do Brejo, que vocês podem conhecer um pouco nesta entrevista http://worldtv.com/ARRECIFETV ou no site http://www.cafedobrejo.com.br."

Os quartos

Um dos chalés


Área externa

Restaurante





domingo, 8 de setembro de 2013

PRESENTE DE DOMINGO...

PÁTRIA

Versificando a Independência
Moçada se liga aí
Neste singelo cordel
Preste atenção no que eu digo
E não olhe para o céu
De lá só cai avião
Chuva, neve ou balão
E se você se ligar
Aprenderá de montão.

Vou contar uma história
Que aconteceu aqui
Neste pedaço de chão
Deram o nome de Brasil
Com suas ricas culturas
E um povo mui feliz
Que não troca tal riqueza
Por nada neste país.

Diz a história que um homem
Por nome Pedro II
Tinha o carisma do povo
Ajudava a todo mundo
Escolheu morar aqui
Isso, num breve segundo
Por esta nobre razão
Seu pai ficou moribundo.

Dia 9 de janeiro
De Portugal uma carta
Exigindo que D. Pedro
Voltasse à sua pátria
O príncipe lhe respondeu
Que jamais voltaria
E ao invés de além mar
Assim ao povo diria:
Se é para o bem de todos
E a nossa alegria
Permanecer no Brasil
Mui feliz eu ficaria.

Desafiou, pois o velho
Ele não quis nem saber
Pois seu coração estava
Aqui mesmo, podes crer
Fez um esquema pueril
E, depois de um bate papo
Convenceu o velho Pedro
A deixá-lo no Brasil.

Após o dia do Fico
Tomou algumas medidas
Parte até interessante
Outras meio descabidas
Preparando o caminho
Pra defender sua terra
Mandou chamar o povo
Convocou uma assembléia
E como já não bastasse
Chamou a Marinha de Guerra.

Pedro II era mesmo
Cabra macho pra daná
Pôs os soldados do pai
Pra fora do arraiá
Os soldados não gostaram
Começaram a achar mal
Tiveram de imediato
De voltar a Portugal.

Depois deste episódio
Foi até Minas Gerais
Para dar explicação
Aos setores sociais
Pois estavam preocupados
Com os acontecimentos
E com todo converseiro
Surgido neste momento.

Durante sua viagem
Recebeu uma cartinha
Vinda de longe, do pai
Anulando o que dizia
Sua volta imediata
Seu pai, logo, exigia
Deixar o Brasil, agora
Era o que ele não queria.

De Santos para São Paulo
Teve acesso a tal notícia
E às margens do Ipiranga
Disse: Deixe de preguiça
Levantou a sua espada
E começou a derriça
Neste exato momento
Contou muito com a sorte.

Entre morrer ou viver
Independência ou Morte.

Tudo isso aconteceu
Dia 07 de Setembro
Isso já faz tanto tempo
Que eu quase nem me lembro
Devido as grandes obras
De um jovem pueril
Tornou-se imperador
Do nosso imenso Brasil.

Agora, espere um pouquinho
Que vou contar um segredo
Teve dois grandes países
Que reconheceram primeiro
A independência do Brasil
Para nós os brasileiros

O México foi um deles
Estados Unidos também
Enquanto que Portugal
Exigiu alguns vinténs
Só dois milhões de libras
Então, está tudo bem.

D. Pedro ficou maluco
Pra conseguir o dinheiro
Não sabia o que fazer
Quis entrar no desespero
Falou com a Inglaterra
Resolveu o pesadelo.

Todo este fato histórico
Nada novo acrescentou
Pois é claro, o povo pobre
Nada disso acompanhou
A escravidão é a mesma
Desigualdade aumentou
A elite brasileira
Foi quem se beneficiou.


de Valdecir dos Santos
Naviraí - MS - por correio eletrônico



Imagem Google

sábado, 7 de setembro de 2013

PORQUE HOJE É SÁBADO...

Quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo
MÃOS AO ALTO!

Joca Terron

Era dia sete de setembro e levei minha filha para ver um quadro de Pedro Américo no Museu Paulista.
“Você conhece Pedro Américo, filha?”, eu perguntei a ela.
“Não conheço não, pai. Ele estuda na minha escola?”, ela respondeu, curiosa.
Então expliquei que Pedro Américo tinha sido um grande pintor.
“Foi ele quem pintou o mais famoso quadro sobre a Independência do Brasil, chamado ‘O grito do Ipiranga’, eu disse.
Era essa pintura que nós tínhamos ido ver. Eu estava meio esquisito, pois havia quebrado o braço de tal jeito que os médicos tiveram de engessá-lo assim, reto, apontando para cima.
“Pai, você tá muito engraçado com esse braço apontando para o céu”, disse minha filha.
“Eu sei, filha. Parece que tô tentando pegar ônibus o tempo todo, né?”. Ela deu muita risada quando eu disse isto.
Quando nós chegamos no museu e paramos na frente do quadro, percebi como eu estava parecido com Dom Pedro I.
“Sabe, só agora estou percebendo como o dia sete de setembro de 1822 deve ter sido chato para Dom Pedro I”, eu falei.
Ela olhou para mim com aquela cara de criança querendo saber mais. Continuei:
“Ah, ele deve ter acordado e pensado ‘É hoje que vou ter de gritar INDEPENDÊNCIA OU MORTE! e ficar para sempre com o braço levantado para cima em algum quadro que alguém ainda vai pintar. Que coisa mais chata!”
“E tava certo, né, pai? Olha só o quadro, ele tá igualzinho a você!”, minha filha falou, dando risada.
E quando percebi toda a criançada estava pulando à minha volta, gritando “Independência ou Morte! Independência ou Morte!”. Foi muito engraçado.
A única coisa que não foi engraçada foi quando saímos do museu e vimos a rua cheia de camelôs trabalhando em pleno feriado para sobreviver.
E foi assim, depois das risadas, que eu expliquei para minha filha tim-tim por tim-tim por que a independência do Brasil tinha sido feita pelos ricos apenas para os ricos.
Mas esta é outra história, menos divertida, e fica para outra vez.


Publicado na Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo, em 2 de setembro de 2006.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

domingo, 1 de setembro de 2013

PRESENTE DE DOMINGO...

Guerra de Canudos
PÁGINA VAZIA

Euclides da Cunha

Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo inda na mente
Muitas cenas do drama comovente
Da Guerra despiedada e aterradora,

Certo não pode ter uma sonora
Estrofe, ou canto ou ditirambo ardente,
Que possa figurar dignamente
Em vosso Álbum gentil, minha Senhora.

E quando, com fidalga gentileza,
Cedestes-me esta página, a nobreza
Da vossa alma iludiu-vos, não previstes

Que quem mais tarde nesta folha lesse
Perguntaria: "Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tão tristes"?!!

Obs.: Esses versos faziam parte de um álbum da jovem Francisca Praguer Fróes, que ganhou o poema do então engenheiro e jornalista — de volta da "região assustadora" (leia-se Canudos) de onde vinha, "revendo inda na mente/ Muitas cenas do drama comovente/ Da Guerra desapiedada e aterradora" — no dia seguinte de seu retorno à capital baiana, conforme ele datou abaixo da assinatura: 14 de outubro de 1897.