terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MINHAS CARICATURAS



Na terça-feira de carnaval estava no Bar do Zé, que fica em Jaguaribe onde moro, tomando umas cervejas com um casal de amigos do Recife que passou o carnaval na minha casa, e encontramos Francelino Lima, um caricaturista que ganha a vida com a sua arte, desenhando as pessoas que encontra pelos bares da vida.

Hoje vi uma menção a ele em um blog e resolvi publicar a minha caricatura feita por ele, numa forma de prestigiá-lo e divulgar seu trabalho.

Vale ressaltar que eu gostei muito do trabalho.


 Essa foi feita por Artemio Filho, um artista incrível e talentoso e que tem seus trabalhos publicados nestes endereços: http://artemiofilho.blogspot.com/  e http://artemiofilhoillustrations.blogspot.com/



Essa foi feita em 1984, por Odilon Guido, também numa mesa de bar, em São Paulo e está mais para um retrato que uma caricatura.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

PRESENTE DE DOMINGO...



BRONZES E CRISTAIS

Composição: Nazareno de Brito / Alcyr Pires Vermelho

Canta: Pery Ribeiro

Se alguém contar pelos dedos
Quantas alegrias provou
Pensará que foram brinquedos
Que criança má com o tempo quebrou

Quem seguir a cenda florida
Onde o bem se esquece do mal
Verá que há contrastes na vida
Feitos de bronze e cristal

Bronze é a tristeza que implora
Um novo dia, um clarão da aurora
Cristal sorriso nos dá certeza
Tormento e paz
São bronzes e cristais





sábado, 25 de fevereiro de 2012

ADEUS, PERY...

Pery Ribeiro em julho de 2009 Foto: Divulgação

Dizem que tem pessoas que nascem com uma estrela. Pery Ribeiro nasceu com duas, ou melhor, da união de duas das maiores estrelas da música brasileira em todos os tempos: Herivelto Martins e Dalva de Oliveira.

Com uma origem dessas, nada mais natural para esse carioca nascido em 27 de outubro do que alcançar o seu próprio espaço no firmamento. E Pery o fez! Com tanto brilho que, não bastasse ser o primeiro intérprete a gravar, e portanto "descobrir" a clássica "Garota de Ipanema", também lançou sucessos como "Samba de Verão", "Barquinho", "Rio" e "Você" e ainda hoje congrega uma multidão de fãs pelo mundo inteiro que lotam seus shows, que compram seus discos e que retribuem ao ídolo o imenso e genuíno carinho que ele sente por eles.



Pery Ribeiro e Roberto Menescal

PERY RIBEIRO POR ROBERTO MENESCAL

Minha primeira e emocionante lembrança que tenho de Pery, foi de uma gravação de um compacto simples na antiga Odeon, onde Pery cantava uma música que dizia "Há dentro em mim uma dor escondida, bem escondida...." e eu, Luiz Eça, Oscar Castro Neves, e uma amiga nossa, a Climene, que tínhamos um grupo vocal, fazíamos o backing para nosso querido artista. Foi o máximo! Talvez ainda meio desafinado (nosso grupo, é claro), mas a emoção foi total.

Pery com sua antena de desbravador, também me deu um presente inesquecível: em final do ano de 61, eu voltava de Buenos Aires com Maysa e, numa parada em São Paulo para um programa de TV, me colocaram a gravação de Pery de minha música com Boscoli, “O Barquinho" (que Maysa acabara de gravar, mas que ainda não tinha sido lançada), e vi Pery mais uma vez sair na frente, como fez com tantos outros sucessos, inclusive "Garota de Ipanema". Eu como compositor de muita sorte, poderia ter um cd do Pery inteiramente com músicas minhas, pois ninguém me gravou tanto... Eis aí uma idéia para alguma gravadora que tenha esse acervo.

O mais recente presente que Pery me deu, e certamente o mais emocionante, foi uma composição (letra e música dele) onde faz uma homenagem a mim e ao Ronaldo Boscoli, juntando trechos de nossas canções ligadas por versos exatos como só um "craque" da composição poderia fazer, coisa que Pery muito pouco aproveitou em sua carreira de artista. Essa música, “Abraço no Menescal e Boscoli”, foi gravada por Wanda Sá e por mim no nosso mais recente cd "Swingueira", e tem sido o ponto alto de nossos shows, coisa que Pery pôde presenciar numa reação expontânea do público, no show de lançamento do disco no Teatro Rival.

Enfim, nossa ligação não é recente, pois nos conhecemos há mais de 40 anos "nas pedreiras da vida", onde apesar dos quilômetros que muitas vêzes nos separam, temos tido uma convivência muito legal, muito curtida, muito carinhosa.

Me confesso aqui, fã total desse artista que tem uma carreira tão bonita e tão importante para o nosso Brasil.

Beijos
Roberto Menescal
Rio 12/março/2006






quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

QUARTA-FEIRA DE CINZAS...



POEMA DE UMA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Manuel Bandeira

Entre a turba grosseira e fútil
um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça…

O seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa…
indiferente a tais ataques,

Nublada a vista em pranto inútil,
dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
feita de sonho e de desgraça…

Do livro “Carnaval”, publicado em 1919, Coletânea de poemas feita pelo autor.

Imagem Google


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O ANIVERSÁRIO


Minhas primas Geanne, Sônia, sobrinhas do meu pai e tia Lúcia, irmã da minha mãe

Pense num aniversário!

O mundo inteiro comemorou meu aniversário ontem.

Carvanal de Veneza
De Veneza...


Desfile da Portela em 19/02/2012
Ao Rio de Janeiro...

Recife Antigo
Recife e nos mais remotos recantos do Brasil, foi uma festa só.


Primas Sônia, Eveliny e tia Lúcia

A festa foi tão grande que todos foram comemorar em diversos lugares e eu fiquei festejando com minhas primas, minha tia

Meus amigos Adriana e Gilberto, no Restaurante Mangai

e um casal de amigos que está na minha casa, numa “festa” bem família.

O que sobrou do bolo

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK


E no próximo ano eu serei sex...

...agenária!


KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK


NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS

No Recife, a Noite dos Tambores Silenciosos faz parte do calendário de Carnaval da cidade.
Na foto, edição do ano passado do evento.

Maracatus fazem prévia da Noite dos Tambores Silenciosos

Os tambores de maracatus começam a esquentar no Recife na contagem regressiva para mais um Carnaval. A prévia Noite dos Tambores Silenciosos, que acontece nas segundas-feiras de Carnaval, organiza-se pelo terceiro ano consecutivo pelas ruas do Bairro do Recife.

Neste ano, ela contará com a participação de 16 Nações de Maracatus de Baque Virado, que é um maracatu mais tradicional, representante das nações e etnias africanas.

De acordo com Edson Axé, coordenador do Núcleo da Cultura Afro Brasileira (NCAB), durante a Noite, as nações se reúnem para um grande "esquenta tambor".

A prévia da manifestação terá concentração na Av. Rio Branco às 16h e segue para a Praça do Arsenal da Marinha.
Participam da manifestação as nações Nação Tigre, Nação de Luanda, Nação Elefante, Nação Estrela Brilhante de Igarassu, Nação Axé da Lua,   Almirante do Forte, Cambinda Africana, Nação Centro Grande Leão Coroado, Nação Encanto do Dendê, Nação Sol Nascente, Nação Leão de Judá, Nação Estrela de Ouro de Olinda, Nação Estrela Dalva, Nação Tupinambá, Nação Rosa Vermelha e Nação Linda Flor.

“A Noite dos Tambores Silenciosos é a celebração
dos nossos ancestrais, um ação que garante
a perpetuação desta memória”

Edson Axé, coordenador do Núcleo
da Cultura Afro Brasileira


Celebração aos antepassados

Celebrada desde os anos 60, a Noite dos Tambores Silenciosos começou a ser realizada em frente à Igreja do Rosário e tinha como responsável as Tias do Terço.

No final da década, em 1968, ela foi transferida para o Pátio do Terço.

Foi somente após alguns anos que ela ganhou o conceito de celebração e desde este período é dirigida pelo Babalorixá Pai Raminho de Oxossi.

O apogeu da celebração acontece exatamente às 00h.

Segundo Edson Axé, a cerimônia é “a celebração dos nossos ancestrais, um ação que garante a perpetuação desta memória".

"Celebramos a memória daquelas e daqueles que deram suas vidas na luta pela liberdade. É uma reverência aos antepassados, nossa grande referência de resistência na busca por dias melhores", explica ele.

Como acontece em todos os anos, personagens significativos para a cultura afro são homenageados. Neste ano os escolhidos foram a Rainha do Maracatu Porto Rico, Mãe Elda, e o professor Ubiracy Ferreira, do Maracatu Sol Nascente.

Africanidade no Recife

Com forte presença em Pernambuco as diversas manifestações culturais afro-brasileiras possuem um polo especial no Carnaval multicultural da cidade. Trata-se do Polo Afro.

Este espaço foi criado em 2000, atendendo uma demanda dos movimentos negro e religioso do Grande Recife. “A criação deste polo garante uma maior visibilidade, fortalecimento e valorização da manifestação do maracatu”, fala o gerente do NCAB.

Veja abaixo a programação do evento.

NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS
Segunda-feira, 20 de fevereiro
Av. Rio Branco - Bairro do Recife

1º Horário – Tambores Mirins
A partir das 17h
Maracatu Nação Porto Rico Mirim
Maracatu Nação Peixinhos
Maracatu Nação Novo Pina
Maracatu Nação Cambinda Africano Mirim
Maracatu Nação Oxalá
Maracatu Filhos de Olorum
Maracatu Nação Cambinda do Amanhã
Maracatu Nação Estrelar
Maracatu Estrela do Mar
Maracatu Mirim Encanto da Alegria
Maracatu Nação Erê
Maracatu Nação dos Vunginhos
CERIMÔNIA NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS MIRINS

2º Horário – Noite dos Tambores Silenciosos
A partir das 20h
Maracatu Nação de Luanda
Nação do Maracatu Elefante
Nação do Maracatu Encanto do Dendê
Maracatu Encanto da Alegria
Nação do Maracatu Estrela Dalva
Maracatu Nação Axé da Lua
Maracatu Nação Sol Nascente
Maracatu Nação Estrela Brilhante de Igarassu
Maracatu Nação Almirante do Forte
Nação do Maracatu Porto Rico
Maracatu Nação Cambinda Estrela
Maracatu Nação Gato Preto
Maracatu Nação Leão Coroado
Maracatu Nação Linda Flor
Nação do Maracatu Estrela Brilhante do Recife
Maracatu Nação Leão da Campina
Maracatu Nação Raízes de Pai Adão
Maracatu Nação Encanto do Pina
Maracatu Nação Oxum Mirim
Maracatu Nação Aurora Africana
Maracatu de Baque Virado Cambinda Africano
Maracatu Nação Tigre
Maracatu Nação Centro Grande Leão Coroado
Maracatu de Baque Virado Nação Tupi Nambá
Maracatu Nação Rosa Vermelha
Maracatu Nação Estrela de Olinda
0h CERIMÔNIA NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS





domingo, 19 de fevereiro de 2012

PARABÉNS PARA MIM!!!

Hoje é o dia do meu aniversário.

Parabéns! Parabéns!

PRESENTE DE DOMINGO... DE CARNAVAL!!!


FREVO DE ORFEU

Vinicius de Moraes

Vem, vamos dançar ao sol 
Vem, que a banda vai passar
Vem, ouvir o toque dos clarins
Anunciando o carnaval

E vão Brilhando os seus metais
Por entre cores mil
Verde mar, ceu de anil

Nunca se viu tanta beleza
Ah, meu Deus
Que lindo é o meu Brasil!


Imagem Google


sábado, 18 de fevereiro de 2012

DOE SANGUE! DOE VIDA!

Fonte: http://www.aalgunskmdelugarnenhum.com/2011/01/03/doe-sangue-doe-vida-2/

EU ACHO É POUCO!!!

Foto: JC Imagem

Dragão do Eu Acho é Pouco é tradição nos quatro dias de folia

Do NE10

Não tem choro nem vela. Todo Carnaval, o Eu Acho é Pouco faz tudo igualzinho. "Pra que mudar? É sempre tão bom que a gente repete", se diverte Maria Chaves, uma das organizadoras do bloco.

Nos quatro dias de Carnaval, um mar vermelho e amarelo toma conta de Olinda e do Recife Antigo. Um dragão gigante mostra o caminho e a nação de foliões segue ritmado pelo samba e frevo, sem hora pra acabar. Então, pra que mudar?

Sábado e terça de Carnaval, o desfile é na Cidade Alta de Olinda. A partir das 16h, a frente do pátio do Mosteiro de São Bento é tomada por crianças, velhos, famílias, namorados... Muitos não aguentam seguir todo o percurso. É pesado: dura cinco horas e finda na sede do bloco, na Rua de São Bento, Varadouro. Mas quem ficar pelo meio caminho se agrupa em outra agremiação ou vai mais cedo pra casa. Afinal, amanhã também é dia de festa!

Domingo, a programação é mais light, com o desfile saindo às 16h da Praça do Arsenal. O ritmo é perfeito para os pais acordarem cedo na segunda-feira e levarem seus pequenos para curtir o Eu Acho é Pouquinho, com concentração na sede do bloco, em Olinda. Para os infantes de vermelho e amarelo, o símbolo do Eu Acho é Pouco em miniatura: um dragãozinho anima a turminha.

REEDIÇÃO - O Eu Acho é Pouco vive sua tradição até na música. Há dezenas dos 35 anos de existência que o bloco é puxado pela mesma e animada orquestra de frevo do Maestro Merinho, em revezamento com a batucada do Eu Acho é Pouco.

Mas pra não dizer que nenhuma novidade apareceu este ano, uma ideia de 1984 foi reeditada. Para que cada folião customizasse sua fantasia com as cores do bloco, os organizadores colocaram à venda 300 metros de tecido com estampa exclusiva para este Carnaval. A roupa, claro, esgotou rapidamente.

PORQUE HOJE É SÁBADO... DE CARNAVAL!!!


Tema do Galo 2012
Fonte: http://www.galodamadrugada.org.br/index.html

GALO DA MADRUGADA

José Honório

No Galo se vê de tudo
Em termos de carnaval
Tem o frevo que domina
Sendo o prato principal
Nesse banquete de ritmos
Que levantam nosso astral.

Tem abre-alas, baianas
Toureiros e mandarins
Passistas, porta-estandartes
Tocadores de clarins
Tem colombinas faceiras
Pierrôs e arlequins.

Palhaços, xeiques, piratas
Odaliscas, enfermeiras
Bailarinas, normalistas
Diabos, padres e freiras
Onças, anjos, gatas, noivas
Tiazinhas, feiticeiras.

Tem folião casual
Que não vai fantasiado
Usa bermuda e camisa
Um sapato já sambado
Se embala com o frevo
E faz o passo rasgado.

Gente que vai pelo frevo
Pelo embalo da folia
Gente a fim de se dar bem
No xumbrego da orgia
Seja qual for o motivo
No Galo se extasia.

Aos que lhes falta coragem
De juntar-se a multidão
Por medo, por preconceito
Por qualquer limitação
Há camarotes pra quem
Puder gastar seu carvão.

Mas o bom é ir pro meio
Do povo que se atropela
Quando do trio se ouve
“Você diz que ela é bela...”
A pernambucanidade
É aí que se revela.

Tem casado que dá drible
Na mulher e vai sozinho
Diz que vai fazer um bico
Combina com seu vizinho
Passa o dia na muvuca
Chega em casa mamadinho.

Tem também mulher que vai
Escondida do marido
Veste um short, calça o tênis
E diz pra ele: - Querido
Eu vou lá na costureira
Para provar um vestido.

Tem gente cheirando lança
Pra ficar numa maior
Cheira loló, cheira cola
Eu não sei o que é pior
Prefiro cheirar cangotes
Molhadinhos de suor.

Lá no Galo todos brincam
Numa só cumplicidade
Criança, jovem, coroa
Folião de toda idade
Acompanhado ou sozinho
Quer seja ou não da cidade.

Muitos dos que lá não vão
Gostariam de poder
Mas o que pode e não vai
Eu não consigo entender
Só lamento que não saiba
O que está a perder.

Infelizmente também
Tem os pais desnaturados
Que levam os filhos e não
Tem os devidos cuidados
Não os protegem do sol
E nem dão água aos coitados.

No Galo também tem gente
Que não vai pra brincadeira
São lanceiros bem atentos
Aos que estão de bobeira
E depois que dão o lance
Lá se foi sua carteira.

Tem quem vai com o propósito
De provocar confusão
Passa a mão na bunda alheia
Dá pisada e beliscão
Cantando mulher dos outros
Dando soco e empurrão.

Fazem para aparecer
Para mostrar valentia
Pensando ganhar cartaz
Perante alguma guria
Porém nem mesmo conseguem
Estragar nossa alegria.

Mulheres que se aproveitam
E dão corda aos donjuans
Comem, bebem às suas custas
Olhando pra suas cãs
E na “hora da verdade”
Desaparecem nas vans.

Tem cara que força a barra
E às minas dá bebidas
No intuito de deixá-las
Fogosas, desinibidas
E assim tê-las nas malhas
De suas mãos pervertidas.

Tem travesti exibindo
A forma siliconada
Sobre dois palmos de salto
Levando vaia e dedada
Dos gaiatos de plantão
Que não deixam passar nada.

Tem sapatões que se vestem
De soldado ou de palhaço
Com cachaça na cachola
Entram logo no amasso
E sem ligar para o povo
Tome beijo e tome abraço.

Tem vendedor de comida
Daquelas comeu-morreu
Ganhar o mais que puder
É este o desejo seu
Mesmo que fique doente
Quem seu quitute comeu.

No começo é maravilha
Mas depois de certa hora
A cerveja só vem quente
O calorão estupora
As brigas se intensificam
O melhor é ir embora.

Digo que as almas sebosas
Jamais serão empecilho
Para que o Galo sempre
Mantenha firme este brilho
E um pai possa brincar
Trazendo no braço o filho.

No bairro de Sao José
O Galo tem endereço
Muitos lá se equilibram
Outros viram pelo avesso
Se para uns basta o Galo
Pra muita gente é o começo.

FIM



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

OLHA O CAFUÇU AÍ, GENTE!!!


Cafuçus e suas extravagâncias na sexta pré-carnavalesca de João pessoa

Vanessa Silva
Do NE10/ Paraíba

Homens vestidos com camisas abertas e medalhões estampando o peitos nus e mulheres em trajes hiper extravagantes são a grande atração desta sexta-feira pré-carnavalesca em João Pessoa. Se pra você a ideia remete a uma festa que já caiu no gosto do pernambucano, saiba que o conceito da brincadeira surgiu há 23 anos na capital paraibana.

"Começou com uma amiga nossa que gostava de classificar como cafuçus as pessoas que se vestiam de uma maneira mais exótica, diferente. E aí, em sátira à escola de samba Unidos do Cabuçu, intitulamos o bloco de Unidos do Cafuçu, que depois acabou ficando só Cafuçu", conta Buda Lira, um dos fundadores e diretor do bloco.

Os cafuçus de João Pessoa se concentram na Praça de Cém Réis, no Centro da capital paraibana. De lá, o cortejo segue com 10 orquestras de frevo até a parte baixa da cidade, onde outras duas bandas aguardam os foliões para a apoteose, no Varadouro. A folia conta ainda com DJs, responsáveis por soltar os hits brega de suas pick-ups. Para participar, basta estar caracterizado. A festa é gratuita e conta com incentivo dos governos estadual e municipal. A dificuldade em levantar fundos para manter a brincadeira chegou a colocar em xeque o desfile do bloco este ano.

"Nós promovemos alguns bailes para arrecadar dinheiro e também temos incentivo da Prefeitura e do Governo do Estado, mas é insuficiente. Estamos buscando parcerias, pra não ficar somente na dependência do poder público", comentou Marcelina Moraes, outra coordenadora do bloco.

Falar do bloco que hoje tomou proporções de destaque no Carnaval pessoense é motivo de orgulho e emoção para o fundador. Ao longo das mais de duas décadas de história, o Cafuçu passou por mudanças consideráveis. A principal delas, no trajeto. "Em meados de 98 nós transferimos o desfile da praia para o centro da cidade e abandonamos os trios elétricos porque achávamos que era muito som para pouca gente. Ironicamente, a partir daí a massa fermentou e o número de participantes triplicou de um ano para o outro", lembrou Buda.

Daí, o bloco passou a utilizar uma difusora para propagar o áudio da orquestra e também permitir que os foliões mandassem recados e pedidos de música ao longo do trajeto. Para Buda, um dos momentos mais emocionantes vividos à frente do bloco foi quando, no primeiro desfile com partida do Ponto de Cém Réis, a orquestra mandou 'Impossível acreditar que perdi você', de Marcio Graek, que foi acompanhado por uma imensa salva de palmas. "Foi uma coisa linda, chega me arrepio só de lembrar".

Para este ano, são aguardadas cerca de 80 mil pessoas para o desfile do Cafuçu. Nos dias que sucedem, é o Carnaval Tradição que toma conta das ruas de João Pessoa, destacando blocos e troças carnavalescas, além de tribos indígenas e outros tipos de manifestações populares.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CEROULA DE OLINDA: 50 ANOS DE FREVO



 Jairo Cabral

Sábado de carnaval. Olinda amanhece luminosamente ensolarada. A brisa praieira dos Milagres sopra bandeirolas e enfeites, que ornamentam ruas, becos e sacadas. Cenário bonito, palco luzidio da buliçosa festa carnavalesca. A cidade desperta lentamente do sono madrugador e aos poucos se move, no badalar dos sinos seculares do Carmo, de São Pedro, do Mosteiro de São Bento, do Bonfim, da Sé, do Amparo, da igreja do Monte e do alto do Guadalupe. Um carroceiro apanha latas na Ribeira, um gari arrasta preguiçosamente a vassoura no Largo do Amparo, um ambulante carregado de mercadorias, sobe a Ladeira da Misericórdia. Um menino sonolento puxado pelo pai, atravessa o Varadouro rumo ao Umuarama. Uma senhora de cabeleira branca esvoaçada, da janela do sobrado, enquanto espera o jornal, contempla o novo dia que surge. Os minutos passam no galope do tempo, os ruídos cotidianos e o vozerio das ruas, fazem da cidade uma algaravia danada. Às 16 horas o troar dos fogos de artifício chama pelos foliões ansiosos, o clima esquenta no Clube Atlântico, a pipa de mil litros de batida, espécie de abre alas, começa a andar com Chico Chicória e Bartolomeu Pijama, o estandarte reluzente de vermelho e prata, aparece nas evoluções espetaculares de Setembrino e no passo cadenciado de Porquinho, relembrando o mestre octogenário Pedro Sapateiro. Vibram os primeiros acordes e a frase musical cantada a plenos pulmões: " eu vou este ano à lua ". Lá vem a Ceroula cinquentenária, a troça das multidões, a mais querida de Olinda, a troça do frevo no pé, que faz o chão tremer. Ninguém fica parado, o povo delira, pinotam meninos e meninas, homens se contorcem no passo acrobático do siricongado, corpos se chocam impulsionados pelo frevo arretado que a Ceroula tem. Senhores e senhoras se sacodem nas calçadas, acenam das janelas,entusiasmados pela onda frenética crescente, arrastada pela apimentada orquestra do maestro Oséas.É difícil imaginar que, tudo isso começou a 50 anos, como uma simples e despretensiosa brincadeira, quando os amigos Arthuzinho, Cabela, Gilvan, Jamones, Lucio e Lucilo, resolveram fundar a Ceroula, em 05 de janeiro de 1962, como uma troça masculinista, com o intuito de brincar o carnaval longe dos olhares das respectivas noivas e namoradas.

Com o passar dos anos e com o desaparecimento da troça rival O Pijama, alguns remanescentes se incorporaram à Ceroula, fortalecendo a agremiação. Outros foram convidados, aderiram por amizade, como o saudoso Roberval. Em 1969, o também saudoso boêmio seresteiro, Milton Bezerra de Alencar, numa grande farra no bar de Arthuzinho, acrescentou o item que faltava para o estrondoso sucesso da Ceroula. Compôs o Hino da Troça, de melodia simples e letra fácil, sem pretensões artísticas e seguramente um dos mais executados do carnaval de Pernambuco. É de arrepiar ver o povo tomado de emoção, entoar pelas ladeiras da velha Marim dos Caetés: "Eu vou este à lua, não é privilégio foguete já tem, eu quero ver se o carnaval de rua, Collins, Aldrin e Armstrong falavam que vai bem, eu quero ver se tem troça que escolha, como em Olinda que tem a Ceroula, mas se tiver para mim é legal, passarei lá na lua todo carnaval".

Nas décadas de 1970 / 1980, um grupo de jovens foliões deu início a segunda geração de ceroulenses, robustecendo ainda mais a troça. Albiérgio, o falecido amigo Fernandinho das Penas, Toinho Potó, Ranício, Eraldo Negão, Elisio, Ramos, Moreuza, Albertinho Sacristão e outros, contribuíram para garantir a continuidade da Ceroula. Em 1979, foi fundada a Ceroulinha, troça infanto juvenil, constituída por filhos, sobrinhos, netos e amigos da família ceroulense, verdadeiro celeiro de novos carnavalescos e que muito ajudou na consolidação definitiva da Ceroula. Marquinho Fuba, hoje presidente, Jr Borboleta, Herminho Timbu, Marinho Borboleta Gigante, Renato, Gilmar Santa, Marcio Mago, Felipe Borboleta Pequenina, Fal, Rafael, Hugo Borboletão,Matheus Teacher's, dentre outros, formam a nova geração de ceroulenses.Alguns oriundos da Ceroulinha; outros aderentes pela paixão a Ceroula e ao carnaval olindense.

Ao longo dos seus 50 anos, a Ceroula fez história, criou tradição e para isso contou com o apoio inestimável da sensibilidade feminina. Muitas foram as mulheres que trabalharam em prol da troça. Zeíla, Edinha, Geninha, Aninha Sapo e a nossa inesquecível Mabel, a primeira dama da Ceroula, permanentemente presente em nossos corações.

Olinda anoitece. O feitiço da Ceroula tomou conta da cidade. Uma multidão de foliões eletrizados formando um imenso cortejo, desce a rua 15 de Novembro, transpirando frevo por todos os poros. Momento apoteótico da celebração ceroulense no festejamento do seu meio século de vida.É o ato final do sábado de carnaval. Hora de recarregar as baterias, refazer as energias, espantar o cansaço e esperar a terça feira gorda com a Ceroula cinquentenária novamente na rua. Pega o pão com Cafezinho, Paulo, Tiago e Alciene.

Jairo Cabral é Diretor da Ceroula