sábado, 11 de agosto de 2012

PORQUE HOJE É SÁBADO...

Feira de Jaguaribe, sempre às quartas-feiras e a melhor da cidade
JAGUARIBE, MEU MUNDO*

Escrito por Carlos Pereira

Naquele tempo, a cidade era o quintal da minha casa, ali na rua da Concórdia. E Jaguaribe era o meu mundo.

No quintal eu brincava de pega, de bola de meia, de pão-quente e até de anel. Porque havia espaço  e tempo para tudo. Até mesmo para subir nas mangueiras, separadas pelos irmãos, outorgando-se a cada um a propriedade das mangas - colhidas com zelo para não machucá-las. As que sobravam do lanche e da sobremesa, eram expostas em vistosas bacias de alumínio (naquela época ainda não havia plástico), nos balcões da venda de “Seu” Benedito -na esquina com a Vasco da Gama, onde o velho pai dividia com outros o mercado de estivas e cereais do bairro.

Ah! Que tempos aqueles!. Hoje se resumem em memória e saudades que aos poucos vão se apagando...

O cinema Jaguaribe, o medo de “Imbuzeiro” – um velho feio e sujo que botava os meninos pra correr, o futebol pra quem tinha comungado na missa das sete rezada por Frei Jorge na Igreja do Rosário onde fui  coroinha e até latim tive de decorar “dominus vosbicum – et cum spiritu tuo”. A sinuca de Alcântara, na Vera Cruz, onde num domingo meu irmão Zé Humberto, já rapaz, taco na mão, foi retirado do salão puxado  pela orelha, por “Seu” Benedito, o pai camarada mas disciplinador que não queria “ver filho viciado em jogo”.

E a  Festa do Rosário?  Ah! A Festa do Rosário, a melhor e mais completa festa de bairro da cidade. Todos os anos, no começo de outubro, quando já não chovia no litoral, a gente – depois da aula no Grupo  Isabel Maria  ou já no ginásio do Liceu – ia pra casa, tomava banho, se perfumava com seiva de alfazema e rumava para o pavilhão central, com a melhor roupa, o  sorriso mais aberto e  alguns trocados no bolso para as primeiras doses de rum com coca-cola ou um copinho de cerveja Bhrama Teutônia: muito para tomar coragem e pouco pra não se viciar. Pegar coragem para mandar um bilhete à menina mais bonita do pavilhão, com quem se trocava os primeiros olhares acumpliciados e, quem sabe, depois dividia os primeiros amassos...

Jaguaribe  da primeira namorada, do primeiro beijo, do primeiro amor. Da menina normalista que me fazia ouvir o LP de 78 rotações de Nelson Gonçalves cantando “vestida de azul e branco/trazendo um sorriso franco/no rostinho encantador” – quem não se lembra, hein! Gonzaga, hein! Martinho Moreira Franco?

Jaguaribe do Luzeirinho, onde o gordo Antônio servia o melhor picado de porco da cidade, enchendo de gente as calçadas do seu bar na Vasco da Gama às quartas e sábados – local em que  mulher “suspeita” não tinha vez. E o grau de suspeição, ele é quem definia e lembro que até deputado foi convidado a se retirar do ambiente quando, certa vez, se fazia acompanhar de uma dessas senhoras...

A! Jaguaribe da minha infância e da minha adolescência...

*Esta crônica é em homenagem ao meu pai, pelo Dia dos Pais amanhã. Ele amava Jaguaribe, bairro onde passou parte da infância, a adolescência e onde viveu até 1953, quando mudamo-nos para Curitiba e depois para o Recife. Quando voltamos para morar em João Pessoa, em 2007, eu só quis morar em Jaguaribe, para que ele passasse os últimos anos da sua vida num lugar que amava e perto da família, que mora quase toda aqui.


Imagem Google


terça-feira, 7 de agosto de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012

PRESENTE DE DOMINGO...



SONETO

Gregório de Matos Guerra

Desse cristal, que desce transparente,
Nesse aljôfar, que corre sucessivo,
Desce a nós o remédio compassivo,
Corre a nós o desejo diligente.

De vosso ser lhe nasce o ser corrente,
Manancial de graças sempre vivo,
Que geralmente assim distributivo
Tanta prata nos dá liberalmente.

Porém, Virgem das Neves, se sois Fonte,
Como enfim nos cantares se descreve,
E se sois sol, suposto o sol se afronte:

Esta fonte, Senhora, a vós se deve;
Mas que muito, que estando o sol no monte,
Nos dê no vale derretida a neve.

A uma fonte que nasce milagrosamente ao pé de uma capela de N. Senhora das Neves na Freguezia das Avelãas.


SALVE NOSSA SENHORA DAS NEVES!!!

5 DE AGOSTO - DIA INTERNACIONAL DA CERVEJA

AS MINHAS PREFERIDAS





sábado, 4 de agosto de 2012

PORQUE HOJE É SÁBADO...

Lagoa do Parque Solon de Lucena

JOÃO PESSOA É...

Ricardo Oliveira

João Pessoa é carne-de-sol com arroz-de-leite no almoço de sábado e galinha de capoeira com feijão verde e farofa no domingo. É tapioca na Feirinha e sorvete na Friberg em seguida, não necessariamente nesta mesma (des)ordem. É passear naquela calçadinha até o Busto, tomando o sorvete e brigando contra o vento.

João Pessoa é aquela sequência de árvores abanando os carros na av. Epitácio Pessoa. Fazem sombra nas horas de rush que agora temos: engarrafamentos atrasando os almoços de segunda, terça… que irrita os irritáveis e perturba os perturbáveis.

Praia de Tambaú
João Pessoa é sentar nas areias de Tambaú e admirar o arco formado pelas pontas de Cabo Branco e Cabedelo: parecem desenhar uma harpa cujas cordas são aquele mar e suas ondas, dedilhadas pelas mãos do Criador – o som que acalma nas noites de lua cheia. É o busto de Tamandaré com os guris e marmanjos jogando futebol americano na areia fofa; a galera fazendo as rodinhas de violão; as banquinhas de DVD pirata e aquele terreno da esquina onde nunca se construiu nada.

João Pessoa é um retão de Manaíra que atravessa shoppings, caminha pela Tancredo Neves e cai nas bocas de Mandacaru, do Padre Zé, do Róger. É ver destes pontos altos o pôr-do-sol do rio Sanhauá e perguntar quando o sol nascerá e transformará estas realidades. Das favelas pessoenses seus moradores apenas assistem o sol se pôr.

Rio Sanhauá - Onde a cidade nasceu
João Pessoa é seu centro histórico que mescla antigas igrejas com bares, prédios históricos com boates, ladeiras com cabarés, gente com gente. É aquela vista do Hotel Globo, da Casa da Pólvora, é o trem que atravessa o Varadouro. É sensação de perigo nas redondezas do Theatro Santa Roza, mesmo que logo ao lado esteja a polícia militar e civil. É a av. General Osório e suas lojas de eletrônica, a ladeira do Terceirão, do Rei dos Esportes, da Loja Maçom e das Carmelitas. É o Ponto de Cem Réis e seu Palace Hotel com o Café São Braz. É o velho Cine Municipal, a Música Urbana e uma descida.

Ipês da Lagoa
Pois João Pessoa é o parque Solon de Lucena e sua Lagoa. É o congestionamento dos ônibus, a superlotação das paradas, as barracas de batata-frita, tapioca, amendoim, churrasquinho e os pedintes. É o prédio da “Mesbla”, os caras oferecendo fotografia 3×4 na hora e a banca Viña Del Mar. São as lendas sobre caminhões de macarrão dentro daquelas águas, os pescadores ao redor, e a história verídica da morte de vários naquele passeio de barco numa semana do exército de décadas atrás.

E logo ali, ao lado, João Pessoa é aquele conjunto de ipês que florescem apenas por um dia e nos dão a chuva inesquecível de pétalas amarelas. Chuva que faz daquele chão o mais belo tapete para toda a gente que há nesta cidade e se permite observas sua beleza. João Pessoa é bela.

MINHA HOMENAGEM A JOÃO PESSOA, PELOS SEUS 427 ANOS NO DIA 5 DE AGOSTO DE 2012.

Fonte: http://diversita.blog.br/blog

Fotos: Reginaldo Marinho, do site http://inventamarinho.blogspot.com.br/


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

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