segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
PRESENTE DE NATAL...
NATAL DIFERENTE
Yvete Carvalho
Eu vou contar pra vocês
De um Natal diferente
Não é Natal de presente
Nem de peru defumado
Não tem vestido bordado
Não tem sorriso forçado
Nem velhinho mentiroso
Que com jeito de bondoso
Já me fez sofrer em vão
Também não tem mesa farta
Pra não causar indigestão
Eu vou contar pra vocês
Do meu Natal diferente
Nasceu assim de repente
Aqui, bem dentro de mim
Num momento tão difícil
Quando a vida se apaga!
Foi aí que eu renasci!
O meu Natal diferente
Não é Natal de presente
É Natal de muita luz
E é lindo como Jesus!
Imagem Google
sábado, 22 de dezembro de 2012
PORQUE HOJE É SÁBADO...
MAMÃE
NOEL
Martha
Medeiros
Sabe por que Papai Noel
não existe? Porque é homem. Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em
escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias
meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até
para colocar o lixo no corredor? Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça,
ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho? Que andaria
num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag?
Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso
das criancinhas? Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! Mamãe
Noel, sim, existe.
Quem é a melhor amiga do
Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o
nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da
Superfestas? Não é o bom velhinho.
Quem coloca guirlandas
nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela
casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e
luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta
essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?
Papai Noel ainda está de
ressaca no Dia de Reis. Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe?
Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse
de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a
toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?
Quem lembra de dar uma
lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o
cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório
do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para
essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda.
Enquanto Papai Noel
distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem
entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere
listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque
especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os
mesmos presentes do ano passado?
Por trás do protagonista
desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar
mais.
[Martha Medeiros, Mamãe
Noel In: "Trem-bala", L&PM Editores - Porto Alegre, 2002, pág.
177.]
Imagem: foto tirada no
hall do prédio onde mora minha amiga Luciana Pires, que me hospeda no Recife.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
HOMENAGEM AO MEU PAI...
ORAÇÃO
DE SANTO AGOSTINHO
A
morte não é nada.
Apenas
passei ao outro mundo.
Eu
sou eu. Tu és tu.
O que
fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me
o nome que sempre me deste.
Fala-me
como sempre me falaste.
Não
mudes o tom a um triste ou solene.
Continua
rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza,
sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o
meu nome se pronuncie em casa
como
sempre se pronunciou.
Sem
nenhuma ênfase, sem rosto de sombra ou tristeza.
A
vida continua significando o que significou:
continua
sendo o que era.
O
cordão de união não se quebrou.
Porque
eu estaria fora de teus pensamentos,
apenas
porque estou fora de tua vista?
Não
estou longe.
Somente
estou do outro lado do caminho.
Já
verás, tudo está bem.
Redescobrirás
o meu coração,
e
nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca
tuas lágrimas e, se me amas,
não
chores mais.
domingo, 16 de dezembro de 2012
PRESENTE DE DOMINGO...
SONETO OCO
Carlos Pena
Filho
Neste papel levanta-se um soneto,
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.
De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.
Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.
Lembranças são lembranças, mesmo pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.
Imagem Google
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