sexta-feira, 22 de abril de 2011

JUDAS, UM INJUSTIÇADO???



EVANGELHO DE JUDAS

O Evangelho de Judas é um evangelho apócrifo, atribuído a autores gnósticos nos meados do século II, composto de 26 páginas de papiro escrito em copta dialectal que revela as relações de Judas com Jesus Cristo sob uma outra perspectiva: Judas não teria traído Jesus, e sim, atendido a um pedido deste ao denunciá-lo aos romanos.

Desaparecido por quase 1700 anos, a única cópia conhecida do documento foi publicada em 6 de abril de 2006 pela revista National Geographic. O manuscrito, autentificado como datando do século III ou IV (220 a 340 D.C.), é uma cópia de uma versão mais antiga redigida em grego. Contrariamente à versão dos quatro Evangelhos oficiais, este texto clama que Judas era o discípulo mais fiel a Jesus, e aquele que mais compreendia os seus ensinamentos. O seu conteúdo consiste basicamente em ensinamentos de Jesus para Judas, apresentando informações sobre uma estrutura hierárquica de seres angelicais e uma outra versão para a criação do universo.



CONFIRMANDO A AUTENTICIDADE DO CÓDICE



Para ter certeza de sua idade e autenticidade, a Sociedade National Geographic submeteu o códice ao exame mais detalhado possível, sem danificá-lo. O trabalho incluiu o envio de pequenas amostras do papiro e da encadernação de couro para um rigoroso processo de datação por radiocarbono. Outro teste consistiu na análise da tinta utilizada. O manuscrito também foi submetido a imagem multiespectral e analisado por proeminentes estudiosos, peritos nas áreas de paleografia e codicologia.

Página 58 do Códice


Datação por Radiocarbono:

Em dezembro de 2004, Terry Garcia, vice-presidente executivo dos programas de missão da Sociedade National Geographic, entregou cinco pequenas amostras do documento para o centro de datação por carbono da Universidade do Arizona, o Laboratório de Espectrometria de Massa com Aceleradores (AMS), da NSF, em Tucson, no Arizona.

Quatro amostras eram pedaços de papiro do códice, enquanto a quinta amostra era uma pequena parte de couro da encadernação, com papiro agregado. Nenhuma parte do texto foi danificada no processo.

No início de janeiro de 2005, os cientistas do AMS terminaram o teste de datação por radiocarbono. Embora individualmente o período das amostras tenha variado, a média ficou entre os anos 220 e 340 d.C.

De acordo com o diretor do laboratório AMS, Tim Jull, e o cientista pesquisador Greg Hodgins. "As idades calibradas das amostras de papiro e couro estão fortemente ligadas e remetem origem do códice aos séculos III e IV d.C".

Desde sua descoberta no final da década de 40, a datação por radiocarbono tem sido a chave mestre para datar antigos objetos e artefatos em campos diversos, desde arqueologia até paleoclimatologia. O desenvolvimento da tecnologia de espectrometria de massa por aceleração, no começo dos anos 80, permitiu que os pesquisadores passassem a examinar fragmentos muito pequenos de artefatos, como foi realizado no caso do códice.

O laboratório AMS, do Arizona, é mundialmente reconhecido por seu trabalho - que inclui a precisa datação dos Pergaminhos do Mar Morto, que possibilitou que os estudiosos colocassem os pergaminhos precisamente dentro de seu contexto histórico adequado.

Análise de Tinta:

Em um trabalho adicional para certificar a autenticidade do códide, amostras de tinta foram analizadas pela McCrone Associates Inc., em Westmont, Illinois, uma empresa renomada por seus trabalhos em analise microscópica. Esta análise novamente confirmou a autenticidade do documento.

Diversas páginas do documento foram examinadas na Suiça pelo líder do projeto, Joseph Barabe, um pesquisador especialista em microscopia. Um fragmento também foi fornecido para análise no laboratório em Westmont, Illinois. Barabe também realizou microscopia de luz polarizada (PLM) que sugeriu a presença tanto de tinta a base de carbono e uma tinta semelhante a ferrogálica.

Testes de Microscopia eletrônica de varredura com espectrometria por energia dispersiva de raio-X, microscopia eletrônica de varredura com emissão de campo de alta-resolução e difração de raio-X, conduzidos por Joseph Swider, confirmaram a presença de ferro como um principal componente, e negro-de-fumo como componente adicional.

A microscopia eletrônica de transmissão, conduzida por Elaine Schmacher confirmou a presença de ferro em várias formas como um constituinte principal da tinta e negro-de-fumo similarmente presente. Schumacher também identificou muitos outros componentes secundários.

A espectroscopia infravermelha, conduzida por Kate Martin, identificou a ligação média como goma - que está em conformidade com as tintas usadas nos séculos III e IV d.C.

HOJE É O DIA MUNDIAL DA TERRA



Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...

Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço pra ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba...

Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...

Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas...

De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...

Na sacada dos sobrados
Das cenas do Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Terra!

(Texto da imagem do Michiki Studio)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

FELIZ PÁSCOA PARA TODOS!!!



A PÁSCOA E SEUS SÍMBOLOS


O nome páscoa surgiu a partir da palavra hebraica "pessach" ("passagem"), que para os hebreus significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu (marcado pela travessia do Mar Vermelho, que se tinha aberto para "abrir passagem" aos filhos de Israel que Moisés ia conduzir para a Terra Prometida).

Ainda hoje a família judaica se reúne para o "Seder", um jantar especial que é feito em família e dura oito dias. Além do jantar há leituras nas sinagogas.

Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria [2] .

Em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração da páscoa era marcada com o fim do inverno e o início da primavera. Tempo em que animais e plantas aparecem novamente. Os pastores e camponeses presenteavam-se uns aos outros com ovos.


OVOS DE PÁSCOA



De todos os símbolos, o ovo de páscoa é o mais esperado pelas crianças.
Nas culturas pagãs, o ovo trazia a idéia de começo de vida. Os povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Os chineses já costumavam distribuir ovos coloridos entre amigos, na primavera, como referência à renovação da vida.

Existem muitas lendas sobre os ovos. A mais conhecida é a dos persas: eles acreditavam que a terra havia caído de um ovo gigante e, por este motivo, os ovos tornaram-se sagrados.

Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.

Pintar ovos com cores da primavera, para celebrar a páscoa, foi adotado pelos cristãos, nos século XVIII. A igreja doava aos fiéis os ovos bentos.

A substituição dos ovos cozidos e pintados por ovos de chocolate, pode ser justificada pela proibição do consumo de carne animal, por alguns cristãos, no período da quaresma.

A versão mais aceita é a de que o surgimento da indústria do chocolate, em 1830, na Inglaterra, fez o consumo de ovos de chocolate aumentar.


COELHO



O coelho é um mamífero roedor que passa boa parte do tempo comendo. Ele tem pêlo bem fofinho e se alimenta de cenouras e vegetais. O coelho precisa mastigar bem os alimentos, para evitar que seus dentes cresçam sem parar.

Por sua grande fecundidade, o coelho tornou-se o símbolo mais popular da Páscoa. É que ele simboliza a Igreja que, pelo poder de cristo, é fecunda em sua missão de propagar a palavra de Deus a todos os povos.


CORDEIRO



O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, é o símbolo da aliança feita entre deus e o povo judeu na páscoa da antiga lei. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.

Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo judeu da escravidão dos faraós, comemorou a passagem para a liberdade, imolando um cordeiro.

Para os cristãos, o cordeiro é o próprio Jesus, Cordeiro de Deus, que foi sacrificado na cruz pelos nossos pecados, e cujo sangue nos redimiu: "morrendo, destruiu nossa morte, e ressuscitando, restituiu-nos a vida". É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.


CÍRIO PASCAL



É uma grande vela que se acende na igreja, no sábado de aleluia. Significa que "Cristo é a luz dos povos".

Nesta vela, estão gravadas as letras do alfabeto grego"alfa" e "ômega", que quer dizer: Deus é princípio e fim. Os algarismos do ano também são gravados no Círio Pascal.

O Círio Pascal simboliza o Cristo que ressurgiu das trevas para iluminar o nosso caminho.


GIRASSOL



O girassol é uma flor de cor amarela, formada por muitas pétalas, de tamanho geralmente grande. Tem esse nome porque está sempre voltado para o sol.

O girassol, como símbolo da páscoa, representa a busca da luz que é Cristo Jesus e, assim como ele segue o astro rei, os cristãos buscam em Cristo o caminho, a verdade e a vida.


PÃO E VINHO



O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Cristo ao instituir a Eucaristia se serviu dos alimentos mais comuns para simbolizar sua presença constante entre e nas pessoas de boa vontade. Assim, o pão e o vinho simbolizam essa aliança eterna do Criador com a sua criatura e sua presença no meio de nós.

Jesus já sabia que seria perseguido, preso e pregado numa cruz. Então, combinou com dois de seus amigos (discípulos), para prepararem a festa da páscoa num lugar seguro.

Quando tudo estava pronto, Jesus e os outros discípulos chegaram para juntos celebrarem a ceia da páscoa. Esta foi a Última Ceia de Jesus.

A instituição da Eucaristia foi feita por Jesus na Última Ceia, quando ofereceu o pão e o vinho aos seus discípulos dizendo: "Tomai e comei, este é o meu corpo... Este é o meu sangue...". O Senhor "instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar assim o Sacrifício da Cruz ao longo dos séculos, até que volte, confiando deste modo à sua amada Esposa, a Igreja, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se come Cristo, em que a alma se cumula de graça e nos é dado um penhor da glória futura" [3].

A páscoa judaica lembra a passagem dos judeus pelo mar vermelho, em busca da liberdade.

Hoje, comemoramos a páscoa lembrando a jornada de Jesus: vida, morte e ressurreição.


COLOMBA PASCAL




O bolo em forma de "pomba da paz" significa a vinda do Espírito Santo. Diz a lenda que a tradição surgiu na vila de Pavia (norte da Itália), onde um confeiteiro teria presenteado o rei lombardo Albuíno com a guloseima. O soberano, por sua vez, teria poupado a cidade de uma cruel invasão graças ao agrado.


SINO



Muitas igrejas possuem sinos que ficam suspensos em torres e tocam para anunciar as celebrações.

O sino é um símbolo da páscoa. No domingo de páscoa, tocando festivo, os sinos anunciam com alegria a celebração da ressurreição de cristo.


QUARESMA


Os 40 dias que precedem a Semana Santa são dedicados à preparação para a celebração. Na tradição judaica, havia 40 dias de resguardo do corpo em relação aos excessos, para rememorar os 40 anos passados no deserto.


ÓLEOS SANTOS



Na antiguidade os lutadores e guerreiros se untavam com óleos, pois acreditavam que essas substâncias lhes davam forças. Para nós cristãos, os óleos simbolizam o Espírito Santo, aquele que nos dá força e energia para vivermos o evangelho de Jesus Cristo.


Fontes:
[1] Baseado na Coleção Descobrindo a Páscoa, Edições Chocolate.
[2] A vitória da Páscoa, Georges Chevrot, Editora Quadrante, São Paulo, 2002
[3] Vida Eucarística, José Manuel Iglesias, Editora Quadrante, São Paulo, 2005


quarta-feira, 20 de abril de 2011

GRANDE CHICO CÉSAR!!!

Forró de plástico: Chico, o dinheiro e a lei depõem contra

O articulista Luis Tôrres escreveu artigo após a entrevista com o secretário da Cultura Chico César pontuando as visões do compositor a frente da pasta. Confira o artigo na íntegra:

Chico César amenizou o discurso. Viu que tinha entrado por um caminho perigoso. Desviou. Não mudou de opinião. Manteve a tese de não financiar contratação das chamadas bandas de “forró eletrônico”, aquelas que, além de guitarras, teclados tem bundas à vontade. Mas disse isso de uma forma menos preconceituosa.

Como ele classificou: “É uma discriminação positiva”. Segundo o secretário, são duas as razões pra que a medida seja tomada. Uma de ordem financeira ( a mais sensata). E a outra de ordem legal. Há uma lei, sancionada no governo José Maranhão II, determinando que o Estado priorize os investimentos em artistas regionais.

Ou seja, segundo o secretário de Cultura do Estado, o governo Ricardo Coutinho, diante da necessidade de escolha, vai ficar com o forró autêntico. “E não estamos falando de artistas desconhecidos. Estamos falando de artistas conhecidos, mas que representam com mais clareza nossa identidade cultural”, declarou.

Isso não significa que o São João em toda a Paraíba deixará de contar com a presença das calcinhas pretas e dos aviões do forró da vida. Vai ter sim. Basta que a prefeituras paguem. Chico César, em entrevista ao Conexão Arapuan, garantiu verba para o São João de Campina, ao qual considerou um patrimônio paraibano.

Mas dinheiro pra Zé Ramalho, Elba Ramalho, Biliu de Campina, Antônio Barros e Cecéu...

Voltamos, apesar disso, à estaca zero. O debate continua sendo: o Estado deveria ou não se render às leis do mercado e financiar, além da cultura local, bandas cujo público é mais numeroso que a quantidade de instrumentos que cada conjunto exibe?

Como já disse, na minha opinião, somente se faltar dinheiro.

Mas isso ninguém vai conseguir definir matematicamente. Há quem seja contra. Há quem seja a favor.

Avançamos, no entanto, em apenas um ponto: na forma de dizer. O debate deixou ser sobre o que presta e o que não presta. Mas o que pode e o que não pode.

Eis a nota de Chico César sobre o tema:

“Tem sido destorcida a minha declaração, como secretário de Cultura, de que o Estado não vai contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino. Não vai mesmo. Mas nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição.

São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava “Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”.

Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.

Redação Paraiba.com


EM DEFESA DE CHICO CESAR


Jaldes Reis de Meneses
(Professor do Departamento de História – UFPB).

A Paraíba tem a vocação das ruínas: se compraz no exercício sado-masoquista de tentar demolir as pessoas que tiveram a ousadia de fazer o caminho da aventura, os que tiveram a coragem de enfiar as roupas na mala, os que pegaram o ita do norte rumo ao êxito, vencendo preconceitos e se afirmando a linguagem universal da arte. Alguns morreram sem ter o reconhecimento em vida, como na letra do samba de Nelson Cavaquinho, a exemplo de Augusto dos Anjos. É triste afirmar, mas praticamente todos os nossos grandes artistas foram ou o são discriminados em vida: foi assim como José Lins do Rego, ainda é assim com Ariano Suassuna – só muito recentemente re conciliado com a Paraíba – e Elba Ramalho. Aparentemente, parece que preferimos vê-los de longe, no pedestal, mas os queremos afastados do convívio cotidiano.

Sequer se trata de acatar, integralmente, na polêmica, as eventuais posições estéticas de Chico Cesar. Contudo, é golpe baixo mentiroso afirmar (li artigos que o comparavam a Torquemada) que ele propôs censura a qualquer forma de manifestação artística: simplesmente, ele chamou à reflexão que o dinheiro público não deveria financiar as chamadas bandas de “forró de plástico”, pois essas já são financiadas pelo mercado e o público adepto lota praças públicas e auditórios privados. No mundo da vida, o mercado não é o único valor, sequer o principal. Trata-se de fazer escolhas, um exercício permanente em qualquer atividade pública, inclusive em cultura: nas festas junina s, o Estado deve privilegiar financiar essas bandas ou os escassos recursos públicos devem financiar artistas e manifestações culturais reconhecidas – inclusive para o sucesso popular da festa –, mas sem valor de mercado.

Para mim, que gosto sem preconceitos beletristas tanto de Bach, Beethoven e Mozart como da pegada rítmica das bandas de axé e das de forró de plástico, faço uma ponderação: rigorosamente, essas bandas são uma contrapartida rústica local de um fenômeno da evolução da música no qual os meios técnicos superam o artesanato individual do artista moderno. Tal fato foi anotado, por exemplo, pelo compositor Gilberto Gil na letra de uma recente canção tão pouco conhecida como genial – “Máquina de música”, na qual a memória eletrônica possui a capacidade de armazenar todas as células sonoras, rítmicas e melódicas do passado e do presente, inteiramente à disposição dos engenheiros de som e dos empresários. Trata-se, portanto, mais de selecionar do que propriamente criar, ou talvez, de criar através da seleção.

No caso das bandas de forró de plástico, a seleção das unidades rítmicas do passado da música nordestina, acoplado a informações do brega e da música caribenha (duas influências evidentes), acompanha também a polêmica dos valores, em virtude das letras em geral serem discriminatórias às mulheres e cultuarem sem dúvida uma concepção machista de mundo. Se jamais censurar, por outro lado não vejo motivos plausíveis de o Estado se empenhar a difundir valores que mais servem ao aprisionamento do que à liberdade das consciências.

Caso o debate fosse travado de maneira serena, talvez essas questões viessem à luz. Mas em vez do diálogo, procura-se antes enxovalhar reputações: alguns, na Paraíba, têm a vocação das ruínas.

AS PAIXÕES DE JOÃO PESSOA



'O DIVINO CALVÁRIO' EXPERIMENTA CIRCO
E POESIA NA SEMANA SANTA


A vida de Jesus contada em linguagem poética, por meio da dança, do circo e da música vai ser o fio condutor de "O Divino Calvário". O espetáculo da Paixão de Cristo 2011 será encenado de 22 a 24 de abril, na Praça do Povo da Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego (Funesc). Serão duas sessões por noite, sendo a primeira às 19h e a segunda às 21h. A peça selecionada para esta edição foi do Grupo Experimental Cena Aberta (Geca) e da Trupe Arlequim, com direção de Marcos Pinto. O evento é realizado através de uma parceria entre a Prefeitura de João Pessoa (PMJP), por meio da Fundação Cultural (Funjope), com o Governo do Estado.

"O Divino Calvário" é uma adaptação do drama sacro "O Mártir do Calvário", do teatrólogo português Eduardo Garrido, escrito em meados do século XIX. O texto era um dos mais encenados pelas trupes e companhias itinerantes de circo e teatro da década de 50 do século passado.


Grupo Geca
Edição 2011 - Na Paixão de Cristo desse ano, o elenco vai interpretar os últimos momentos de vida e crucificação de Jesus Cristo, interagindo com o público. O espetáculo traz uma nova roupagem da história mais conhecida do ocidente. A proposta é apresentar uma encenação poética entre o real expressionista e o imaginário minimalista.

A peça foi concebida em três atos, com dança, circo e música. Tudo isso é distribuído dentro do universo ibérico e nordestino. Os momentos distintos do nascimento e morte de Cristo são diferenciados pelas cores, figurinos, gestual e ritmos. O resultado é a dualidade de sensações.

A assistência de direção de "O Divino Calvário" é de Walter Olivério. Também fazem parte da equipe Kalline Brito (produção), Diocélio Barbosa (preparação circense), Joyce Barbosa (coreografia), além do compositor e regente Eli-Eri Moura (direção musical).

Seleção – O espetáculo deste ano foi escolhido mediante concurso no qual concorreram vários projetos de produção e encenação. O edital público foi promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por intermédio da Funjope. A divulgação do resultado aconteceu em dezembro do ano passado.

Trupe Arlequim
A comissão julgadora foi composta pelos professores do Curso de Teatro da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Ana Valéria Vicente e Erlon Cherque Pinto. Também participou da análise o ator Everaldo Pontes. Esta é sexta edição do espetáculo da Paixão de Cristo no formato de edital público. Outra novidade dos últimos seis anos foi a presença maciça de atores e profissionais da Capital, que são escolhidos por meio de testes de seleção

Estrutura e estimativa de público – A organização do evento vai disponibilizar arquibancadas com capacidade para 2 mil pessoas, que serão instaladas na Praça do Povo do Espaço Cultural. Assim, o público estimado para o total de seis sessões, realizadas durante os três dias de evento, é de 12 mil espectadores. A entrada é franca e por ordem de chegada, sem convite prévio.








PAIXÃO DE CRISTO NA ILHA DO BISPO: "O VERBO QUE É DEUS É JESUS"


Nos dias 22 e 24 de Abril a comunidade da Ilha do Bispo vai vivenciar e se emocionar com a encenação da Paixão de Cristo 2011 que vem com o tema "O Verbo que é Deus é Jesus". A proposta de encenar o nascimento, vida e morte de Jesus na Ilha do Bispo vem desde o ano de 1987 com o Grupo de Teatro da Igreja Católica Senhor do Bonfim ARTE EM CENA. Ao longo dos anos foram várias apresentações, em especial através da via sacra. Desde 2008 o Grupo ARTE EM CENA agregou-se a ARCA - Associação Recreativa Cultural e Artística e nesse ano vem pelo terceiro ano seguido envolvendo jovens dos programas Projovem Adolescente e PETI que são desenvolvidos pela entidade em parceria com a SEDES/PMJP e do Projeto ECA, parceria com a SEDEC/PMJP. Ao todo são 60 integrantes entre crianças, adolescentes, jovens e adultos. São 80 minutos distribuídos em 24 cenas com efeitos de som e luz, dentro de um cenário com figurinos próprios da época. A Encenação também faz parte do Roteiro das Paixões da FUNJOPE.

Os objetivos dessa ação são:

- Despertar o elenco e a comunidade para a reflexão do amor ao próximo;

- Fomentar o desejo pela interpretação teatral;

- Envolver Adolescentes do PETI e Projovem Adolescente para a arte teatral;

- Promover a inserção social de adolescentes dentro da comunidade como protagonistas de uma de/para comunidade;

- Melhorar a autoestima dos adolescentes e jovens;

Realização: ARCA

Parceria: Igreja Católica Senhor do Bonfim e Conselho Comunitário da Ilha do Bispo

Apoios: FUNJOPE, CIMPOR, SEDES/PMJP e SEDEC/PMJP

Direção Geral da Peça: Chagas Neto

Coreografia: Tonny Macedo

Coordenação Executiva: Gero Aguiar

terça-feira, 19 de abril de 2011